Entenda o teatro de Bolsonaro e do Centrão sobre os combustíveis

Enquanto o litro da gasolina chega a quase R$ 9,00 nos postos, a Petrobras enfrenta mais instabilidade nesta semana. A estatal passa pela quarta troca de comando em 3 anos e meio, pressionada pelo governo Bolsonaro, que agora defende a abertura de uma CPI para investigar as políticas de preços e os gestores da estatal.

Hoje, o conselho da Petrobras é formado por 11 membros, dos quais seis foram indicados pelo próprio governo, acionista majoritário da estatal. Atualmente, o presidente da República é responsável pela indicação dos nomes para a presidência da Petrobras.

É diante da atual relação entre a estatal e o governo federal que a Petrobras cesta fazendo parte de um “carrossel de inimigos artificiais” criados por Bolsonaro.

A Petrobras não é um inimigo novo, mas cresceu muito recentemente em função da dimensão eleitoral, da pressão inflacionária. Atacar a Petrobras nesse momento é muito oportuno. Mostra que ‘estou tentando, estou lutando, gostaria de fazer mais, mas não tenho controle.

 

 

Programa do PT fala em “abrasileirar” preço do combustível

A nova versão das diretrizes do programa de governo da chapa Lula-Alckmin mantém a promessa de revogação do teto de gastos e ameniza o discurso em relação à reforma trabalhista do governo Temer.

O texto também amplia as menções ao meio ambiente e ao preço dos combustíveis, assuntos que resultaram em críticas a Jair Bolsonaro (PL) nas últimas semanas, mantém as críticas à venda dos Correios, da Petrobras e da Eletrobras – esta última, privatizada pelo atual governo – e ao que chama de “orientação passiva” da política cambial.

O documento, intitulado “Diretrizes para o Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil 2023-2026”, que deve ser lançado oficialmente nesta terça-feira (21) pela chapa Lula-Alckmin.

O texto contém as siglas de PT e PSB – partidos de Lula e Alckmin, respectivamente – e de PSB, PCdoB, Partido Verde, PSOL, Rede e Solidariedade, que já declararam apoio à chapa.

CPI pode ser tiro no pé do governo ao mostrar pressão contra Petrobras para favorecer Bolsonaro

A criação de uma CPI para investigar a Petrobras pode ser um tiro no pé do próprio governo, mostrando pressões políticas sobre a diretoria da estatal para evitar reajuste de preços em nome da reeleição do presidente Jair Bolsonaro e da derrota do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo informações, em reuniões convocadas pelo governo com a direção da Petrobras, aliados do presidente Bolsonaro chegaram a acusar diretores da estatal a trabalharem pela derrota de Bolsonaro e uma vitória de Lula.

Um interlocutor da diretoria da estatal disse que a resposta foi não comentar a questão política e somente alertar que o pior seria um desabastecimento de diesel no país no segundo semestre. Neste caso, o desgaste para o presidente seria ainda maior do que o reajuste.

Agora, diante da renúncia de José Mauro Ferreira Coelho da presidência da estatal, a avaliação é que a disposição de se criar uma CPI, que já era uma manobra eleitoreira e uma tentativa de tirar do presidente da República a responsabilidade pelos aumentos, perde força.

“Os defensores da CPI, que não queriam a CPI, agora ganham o argumento para desistir da ideia com a renúncia do presidente da empresa”, disse um líder partidário.

Mendonça cobra explicação da Petrobras sobre preços dos combustíveis

O ministro do STF determinou que o Confaz edite uma nova regra sobre o tema. Até lá, o cálculo do ICMS sobre os combustíveis deve levar em conta a média de preços praticados nos últimos 60 meses.

Na prática, a alíquota deve ficar menor já que terá como referência um período em que o preço do combustível era mais baixo.

Mendonça atendeu a um pedido do governo após estados e a União não chegarem a um acordo. A AGU questionou o convênio do Confaz em uma ação no STF e apontou conflito em relação à lei, aprovada pelo Congresso, que determina uma cobrança de alíquota única do ICMS sobre gasolina, etanol, diesel e outros combustíveis.

Mendonça determinou à Petrobras que encaminhe ao STF os documentos e atos internos em que foram discutidas e estabelecidas as balizas para formação dos preços nos últimos 60 meses. O material vai ficar sob sigilo.

O ministro também pediu que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) prestem informações quanto às medidas adotadas, dentro de suas competências legais, em relação à política de preços praticada e a atuação da empresa.

Pedido de CPI da Petrobrás por Bolsonaro é ironizado por Flávio Dino

O ex-governador do Maranhão e pré-candidato ao Senado Federal, Flávio Dino, ironizou a fala do presidente Jair Bolsonaro que defendeu a CPI da Petrobrás no Congresso Nacional para que sejam investigados o presidente, os diretores e o conselho administrativo e fiscal da empresa.

Dino disse que seria um caso inédito, onde alguém propõe uma CPI para investigar a si próprio.

“Um caso inédito na história do Direito: o Presidente da República quer uma CPI para investigar a Petrobrás, que integra o governo que ele chefia. E por conseguinte investigar os presidentes da Petrobrás que ele mesmo nomeou. Ou seja, ele quer investigar a si próprio?”, comentou.

A declaração de Bolsonaro aconteceu logo depois do anúncio de um novo reajuste. O litro da gasolina vendido às distribuidoras passou de R$ 3,86 para R$ 4,06. No caso do diesel, de R$ 4,91 para R$ 5,61. O Presidente da República afirmou que o novo aumento foi uma traição com o povo brasileiro.

“Alguém avisa que ele é o presidente”, diz Flávio Dino após críticas de Bolsonaro à administração da Petrobrás

Após declaração de Jair Bolsonaro (PL), que classificou como “estupro” o aumento do preço dos combustíveis no bolso do brasileiro, o ex-governador Flávio Dino (PSB) não poupou críticas à fala do presidente.

Segundo informações, na quinta-feira (05), em uma live, o presidente teria apontado falhas na administração da Petrobrás e chamou de crime o aumento do preço dos combustíveis.

Ao tomar conhecimento da declaração, o ex-governador publicou uma mensagem nas redes sociais em que alertou. “Alguém deveria avisar a ele que, até 31 de dezembro de 2022, ele é o presidente da República, portanto o “chefe supremo” da Petrobrás”, publicou Flávio Dino.

Luz no fim do túnel! Petrobras reduz preço da gasolina pela primeira vez no ano

O preço médio de venda da gasolina passará a ser de R$ 2,69 por litro, queda de R$ 0,14 (-5,28%).

A Petrobras vai reduzir o preço da gasolina nas refinarias a partir deste sábado (20), informou a companhia nesta sexta-feira (20). É a primeira queda no preço do combustível este ano – desde janeiro, já havia subido seis vezes. Informações são do G1.

O preço médio de venda da gasolina passará a ser de R$ 2,69 por litro, queda de R$ 0,14 (-5,28%). O preço do diesel não será alterado e permanece em R$ 2,86 por litro. Com a mudança, a gasolina passa a acumular alta de 46,19% desde o início do ano, enquanto o diesel subiu 41,6%.

Em dezembro, o litro da gasolina custava em média R$ 1,84. Já o do diesel saía a R$ 2,02.

As sucessivas altas nos combustíveis este ano irritaram o presidente Jair Bolsonaro, que indicou o general Joaquim Silva e Luna para substituir o atual presidente Roberto Castello Branco do comando da estatal. O mandato de Castello Branco, no entanto, termina em 20 de março, e ele segue no cargo.

A troca provocou um forte forte abalo nas ações da companhia, que chegou a perder R$ 75 bilhões em valor de mercado em um só dia.

Lucro recorde

A Petrobras encerrou o quarto trimestre de 2020 com lucro recorde de R$ 7 bilhões, apesar do momento de crise. Segundo a Economática, o resultado é tanto recorde nominal entre as empresas brasileiras como também quando se ajustam os valores dos maiores lucros da história pela inflação.